Errar é humano, mas sai caro

Errar é humano, mas sai caro

Por Anderson Albuquerque


Uma fração de segundo. Este é o tempo que leva para que uma pequena distração, como olhar uma mensagem que chegou no celular enquanto se está dirigindo, cause um acidente – muitas vezes fatal.

No nosso dia a dia, não temos consciência de quão efêmera é a vida, a não ser quando já a perdemos. E o velho ditado “errar é humano” parece absolver qualquer falha que se possa cometer.  

O erro é indubitavelmente humano, mas pode ser evitado. No mundo corporativo, o que se vê é uma nova geração de pessoas que não têm medo de pedir desculpas após errar – o que é ótimo – mas seria ainda melhor se procurassem a origem do erro e tentassem evitá-lo.

Falta de atenção, uso inadequado de redes sociais, falta de comprometimento com o trabalho, descaso, entre outros, podem levar desde erros pequenos até erros gravíssimos nas empresas. Às vezes, somente uma pessoa pode causá-los, mas em outros casos, pode haver uma sucessão de erros causados por diversas pessoas – uma “catástrofe em cadeia”. E isso pode acontecer até com uma das mais respeitadas agências do mundo, a NASA.

No dia 23 de setembro de 1999, a NASA perdeu sua sonda espacial Mars Climate Orbiter, no momento em que esta se preparava para entrar na órbita de Marte. O erro aconteceu porque as equipes de engenheiros responsáveis usaram unidades diferentes para fazer cálculos e medições: uma usou unidades inglesas e a outra o sistema métrico decimal. A falha fez com que a sonda entrasse em baixa altitude em Marte, causando sua destruição. O prejuízo foi de cerca de US$ 125 milhões.

Este exemplo serve para ilustrar que a falta de comunicação, de checagem e verificações de processos pode causar à empresa prejuízos milionários e até mesmo sua falência.

Um dos principais ativos, senão o principal ativo de uma empresa, são seus colaboradores. Tanto eles como as corporações e instituições nunca serão perfeitos. As empresas podem, é lógico, eventualmente errar. E esse erro advém de uma falha humana. Compreensível, mas muito perigoso, pois um erro estratégico pode ser catastrófico.

Perder um documento importante, perder um prazo, esquecer de realizar uma ligação crucial... Para o erro, haverá sempre uma justificativa, mas para o descuido, a falta de atenção e a falta de comprometimento não.

A grande maioria das pessoas que falham constantemente justificam seus erros para camuflar esse descuido, essa falta de atenção, de comprometimento. Errar é humano, mas ser desatento e displicente está longe de ser justificável.

As empresas não são filantrópicas, elas gastam muito dinheiro com seus funcionários, e perdem clientes quando os mesmos cometem erros. O mercado está carente de bons funcionários, de pessoas comprometidas, que assumam responsabilidades, que realmente façam a diferença – e caso não façam, entreguem ao menos aquilo que é sua obrigação.

Bons funcionários não são aqueles que se despem do seu orgulho e pedem desculpas quando necessário for; bons funcionários são aqueles que se comprometem com o que fazem, que se colocam no lugar do outro, que buscam aprender com suas falhas, que verificam o que pode ser melhorado para que ela não se repita.

Se formos sempre justificar os erros e não identificarmos suas causas, as equipes se dissolverão, as empresas não entregarão resultados e muitas quebrarão - anos de trabalho e investimento serão perdidos.

É fundamental que uma empresa tenha funcionários comprometidos, que tenham consciência de sua responsabilidade e nunca subestimem o que um simples erro pode causar à sua equipe ou à companhia. Errar pode ser humano, mas descuido, falta de atenção e de comprometimento são inaceitáveis.