Empreender é poder

Empreender é poder

Por Anderson Albuquerque


A cena é clássica: um hamster se move, fazendo círculos intermináveis em sua gaiola. Através da janela, é possível ver um pássaro em pleno voo. Prisão versus liberdade. Muitos enfrentam esse dilema ao longo da vida: trabalhar para alguém ou ser dono do próprio negócio?

A maioria das pessoas está condicionada a buscar a estabilidade, afinal é ela quem garante uma pretensa segurança de que todos os boletos serão liquidados ao final do mês. Muitas vezes, porém, esta estabilidade vem com um alto preço a ser pago: um trabalho que não agrada, uma empresa que não é idônea, jornadas extenuantes de trabalho com horário fixo, horas perdidas no deslocamento até o escritório, entre muitos outros sacrifícios. É por isso que cada vez mais pessoas estão largando a chamada “estabilidade” para se aventurar no mundo do empreendedorismo.

O mercado é altamente competitivo e está em constante mudança, seja no cenário político, macroeconômico ou internacional. Pressupõe-se que para empreender é necessário ter conhecimento na área de tecnologia, vendas, compras, marketing, finanças, logística, gestão de pessoas, administração, dentre muitas outras. Ainda sim, sou um defensor ávido do empreendedorismo, por diversas razões.

Empreender gera empregos. Os empreendedores são os maiores pagadores de impostos de um país, e estão no topo do seu setor produtivo. Os governos e as autoridades dos países de primeiro mundo respeitam seus empreendedores, pois reconhecem que eles alavancam sua economia.

Apesar dos inúmeros problemas sociais do nosso país, como altas taxas de desemprego e baixa escolaridade, há cada vez mais profissionais dispostos a empreender, como uma alternativa à crise econômica. Nos últimos anos, o Brasil figura a lista dos países mais empreendedores do mundo, à frente do México, da Argentina e dos BRICS (bloco econômico formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).

Grandes empresas privadas têm investido em programas ligados ao empreendedorismo, em busca de inovação. Além de financiar os projetos, o principal papel dessas empresas é passar seus conhecimentos aos empreendedores, ajudando a criar novos negócios, ter acesso a novos mercados e a desenvolver novas tecnologias.

Não é preciso fazer um investimento bilionário para começar a empreender. Na verdade, você pode ter de 100 reais a 1 milhão de capital, e conseguirá empreender da mesma forma – é preciso ter um produto e vendê-lo com uma boa margem, para conseguir acumular capital e expandir seus negócios. No entanto, empreender no Brasil ainda significa enfrentar algumas dificuldades.

Muitos empreendedores sentem-se desestimulados a dar continuidade a seus projetos porque existe muita burocracia para abrir uma empresa. As leis governamentais de incentivo ao empreendedorismo são pouquíssimo divulgadas. Quem pensa a começar a empreender, deve se informar a respeito do programa Startup Brasil, da Lei do Microempreendedor Individual e do Simples Nacional.

Mesmo diante desse cenário, ainda vale a pena empreender no Brasil. É preciso estudar bastante e montar um planejamento estratégico, mas as chances de ser um empreendedor de sucesso e conquistar a tão sonhada “liberdade” são grandes.

Segundo o Dicionário de Filosofia, em sentido geral, o termo liberdade é a condição daquele que é livre; capacidade de agir por si próprio; autodeterminação; independência; autonomia. Empreendedorismo é sinônimo de liberdade. Empreender é quebrar padrões, romper com o status quo. Empreender é tomar as rédeas da sua própria vida, e não há poder maior que esse.