A luta continua

A luta continua

Por Anderson Albuquerque


A violência contra as mulheres é um problema mundial. Mulheres são alvos de vários tipos de violência, desde a verbal até o feminicídio. Muitas vezes, estes crimes são justificados por questões religiosas ou culturais, em países no mundo todo.

Segundo a ONU, 7 em cada dez mulheres já foram ou serão violentadas em algum momento de suas vidas. Para ajudar a combater esta dura realidade, foi criada, em 2010, a ONU Mulheres, com o objetivo de fortalecer e ampliar os esforços mundiais em defesa dos direitos humanos das mulheres.

A ONU Mulheres possui seis áreas principais de atuação: liderança e participação política das mulheres; empoderamento econômico; fim da violência contra mulheres e meninas; paz e segurança e emergência humanitárias; governança e planejamento; normas globais e regionais. Com sede em Nova Iorque, nos EUA, ela possui escritórios regionais nas Américas, África, Ásia e Europa – no Brasil, o escritório fica localizado em Brasília.

No nosso país, nos três primeiros meses deste ano, foram registrados mais de 200 casos de feminicídio, colocando o Brasil na posição de 5º país que mais mata mulheres no mundo. Em média, 164 mulheres sofrem violência sexual diariamente.

Estes dados são decorrentes do primeiro Fórum do Instituto Vasselo Goldoni, que visa fomentar o empoderamento feminino e contribuir para que as mulheres sejam capazes de conduzir suas próprias vidas.

Realizado em abril deste ano em São Paulo, o Fórum, cujo objetivo era discutir o papel das empresas no combate à violência de gênero e sua responsabilidade pela promoção da igualdade de gênero, contou com o apoio da ONU Mulheres, através do programa “Ganha-Ganha: Igualdade de Gênero Significa Bons Negócios”, desenvolvido em parceria com a Organização Internacional do Trabalho e a União Europeia.

O evento, em prol do Instituto Maria da Penha, reuniu mulheres líderes para debater sobre o papel do setor de Recursos Humanos e das lideranças das empresas na luta pela violência contra a mulher, e contou com algumas das maiores companhias do Brasil, como Carrefour, Bradesco, Magazine Luiza, entre outras.

Um panorama mundial da situação das mulheres foi exposto - mesmo sendo maioria nas universidades, elas ainda têm menores salários que os homens. E até em países mais avançados na questão da igualdade de gênero, ainda há uma grande lacuna entre homens e mulheres. É fundamental engajar os profissionais de RH e os líderes das empresas para melhorar essa realidade.

Para falar sobre a violência contra a mulher, ninguém mais apropriado que a própria Maria da Penha, cuja trajetória de vida foi decisiva para a criação da lei que leva seu nome. Ela lembrou o quão difícil é sair de uma situação de violência, ressaltou que o apoio de todos é fundamental, e que as empresas precisam ajudar a conscientizar e abrir canais para que suas funcionárias possam discutir sobre o tema.

É preciso, assim, que as empresas se empenhem não só em valorizar economicamente as mulheres, oferecendo igualdade salarial, mas também se esforcem para promover um ambiente integrado, onde haja igualdade de gênero e elas se sintam seguras. Como parte integrante da sociedade, as empresas também são responsáveis pelo combate à violência contra a mulher.

O fim da violência contra a mulher pode ser possível através de políticas públicas eficazes, da participação da sociedade civil e das empresas, que devem adotar mais medidas e programas de empoderamento feminino e, principalmente, de combate à violência. A luta não pode ser só das mulheres. A luta deve ser de todos.

 

Anderson Albuquerque – Direito da Mulher – Combate à violência