A educação como ferramenta de combate à violência contra a mulher

A educação como ferramenta de combate à violência contra a mulher

Por Anderson Albuquerque


O Brasil é um dos países mais violentos do mundo. Porém, um tipo específico de violência vem crescendo de forma alarmante: a violência contra a mulher. A cada dia aumenta o número de notícias sobre casos de violência contra a mulher, principalmente feminicídios.

Embora muitas pessoas pensem que os casos são isolados ou que são restritos a determinadas regiões do país, a realidade é bem diferente. O problema é sistêmico, e mesmo com o avanço nas punições, com a existência de leis próprias para combater a violência contra a mulher, os agressores parecem não se intimidar.

Esse quadro é reflexo da nossa sociedade patriarcal e muitas vezes machista, que aplaude práticas sociais que desvalorizam e desqualificam as mulheres. Muitos homens acreditam que têm direito de humilhar e xingar as mulheres, pois assim foram educados.

Muitos deles desconhecem o fato de que estão cometendo um crime. A Lei Maria da Penha tipifica os tipos de violência contra a mulher: a física, a moral, a psicológica, a sexual e a patrimonial.

A realidade, portanto, é que a maioria dos homens – e das mulheres – só tem conhecimento de que a violência física é passível de punição, desconhecem que os outros tipos de violência também são crimes.

O fato incontestável é que se dá muita ênfase às leis, aos mecanismos de punição, ao invés de se combater o mal pela raiz. É preciso, primeiro, utilizar a educação como arma no combate à violência contra a mulher, pois fazer valer as leis pode ser tarde demais.

A educação é a chave para incutir valores fundamentais de respeito ao próximo e à dignidade humana, desde a infância. No entanto, o que vemos são os meios de comunicação, a própria escola e as instituições públicas legitimando comportamentos e papéis que meninos e meninas devem desempenhar.

Isso gera graves consequências. O assédio a mulheres, por exemplo, seja na escola ou no trabalho, é banalizado, visto como “brincadeira”, “piada”, e assim insinuações sofridas diariamente podem escalar para casos mais graves de ameaça, agressão e até mesmo de morte.

Além disso, não é rara a culpabilização da mulher pela violência sofrida. Em uma situação em que deveria ser vista como vítima, a mulher é tratada como responsável pela ação do homem.

Infelizmente, muitos homens e também algumas mulheres pensam assim. A cultura paternalista está tão enraizada na nossa sociedade que é muito comum retirar o foco do agressor para culpar a vítima.

É preciso, assim, lutar contra esta cultura paternalista desde cedo, através da educação. Essa mudança deve começar com a educação na família e ser complementada na escola. É necessário ensinar valores como respeito, humildade, solidariedade e tolerância, que são pouco debatidos e estimulados.

As crianças devem, desde cedo, ser educadas para respeitar todas as pessoas sem fazer distinção de gênero, credo, etnia, idade, nacionalidade, condição financeira e orientação sexual. Somente desta forma será possível eliminar preconceitos enraizados e construir relações sólidas e verdadeiras.

A educação tem, assim, um papel primordial para gerar o diálogo em relação ao outro, para promover uma cultura onde a diversidade é reconhecida, onde o respeito ao próximo é fundamental.

Porém, o desafio é grande: fazer o homem respeitar a mulher em um país com graves problemas educacionais. No entanto, é somente através da educação, da mudança de paradigma, que será possível uma mudança de mentalidade.

Para se combater efetivamente a violência contra a mulher, a família e a escola devem estar unidos, para exercerem seu papel de formadores de hábitos, valores e crenças dos indivíduos. A educação, portanto, é um dos principais instrumentos para reverter a cultura patriarcal e machista da nossa sociedade, e assim promover uma cultura de respeito e de paz.

 

 

Anderson Albuquerque - Direito da Mulher - Educação no combate à violência